Diocese suspende padre da actividade sacerdotal

O padre católico Félix Roberto Cubola Kinyumba está suspenso de toda a actividade sacerdotal a nível da Igreja Católica, em consequência da sua eleição para presidente do Alto Conselho de Cabinda.

Por Manuel Augusto 27/11/2019 - 05:23 hs

O prelado vinculado à Diocese de Cabinda, segundo apurou o Jornal de Angola, foi eleito num encontro realizado em finais de Outubro em Acra, República do Ghana, que reuniu várias organizações políticas, associações e quadros daquela província mais a Norte do país.


O documento da suspensão, com efeito imediato, assinado a 11 de Novembro, pelo bispo da Diocese de Cabinda, Belmiro Chissengueti, a que o Jornal de Angola teve acesso, refere que "a eleição do padre Félix Kinyumba, para o cargo de presidente do Alto Conselho de Cabinda, não foi da anuência e nem do conhecimento da Igreja Católica”.


Contactado pelo Jornal de Angola, o bispo de Cabinda, que não quis se pronunciar sobre a questão, alegadamente “por se tratar de um assunto interno e do sigilo da Igreja”, disse apenas que o padre agiu por conta própria e “a sua atitude não vincula a Igreja Católica, já que o acto viola a norma dos can. 285 e 287 do Código Canónico”.


“Considerando a incompatibilidade do exercício do ministério sacerdotal, em simultâneo com o desempenho de actividade de carácter político, a Diocese de Cabinda tentou, sem sucesso, interpelar o padre Cubola para esclarecimentos sobre o novo compromisso que acabava de assumir, o qual tomamos conhecimento através das redes sociais”, refere o documento.


Dada à delicadeza e à gravidade do compromisso assumido pelo padre Félix Cubola, em relação ao seu ministério sacerdotal, o bispo Belmiro Chissengueti disse que consultou o clero da Diocese e decidiu suspendê-lo, com efeito imediato.


Belchior Lanzo Tati, eleito nesse mesmo conclave como primeiro vice-presidente, confirmou ao Jornal de Angola a realização do encontro e a eleição do padre Félix Cubola, para o cargo de presidente do Alto Conselho de Cabinda.


O Alto Conselho de Cabinda é um órgão que tem como missão reunir as diferentes tendências políticas do enclave, com o objectivo de preparar as condições e criar os mecanismos de negociação com o Governo angolano para se acabar com o conflito na província.


De acordo com o comunicado final do referido encontro, a que o Jornal de Angola teve acesso, “existe uma necessidade urgente de criar condições para a paz em Cabinda, pondo fim ao conflito na província que se prolonga há mais de 40 anos”.


“Deve haver a priorização de uma reconciliação inclusiva, pois a plenária da assembleia recomendou ao Alto Conselho de Cabinda, ora criado, a demonstrar a sua disponibilidade de incluir todas as sensibilidades envolvidas no processo”, lê-se no documento.